O ESG tem sido um tema em destaque há muitos anos, mas com as mudanças nos cenários políticos, a evolução das regulamentações e as pressões económicas, muitos proprietários de empresas do segmento de média dimensão estão a perguntar-se: o ESG continua a ser uma prioridade?

A resposta curta? Sim, mas a conversa mudou. Em vez de verem o ESG apenas como um exercício de conformidade ou uma caixa a assinalar na responsabilidade corporativa, as empresas estão agora a concentrar-se em como este gera valor, reforça a resiliência e cria uma vantagem competitiva.

Assim, perante tanto ruído e retórica, o que está a moldar o ESG em 2025 e a que devem as empresas do segmento de média dimensão prestar atenção?

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Um panorama político em mudança

As políticas ESG sempre foram influenciadas pela política, e 2025 não é exceção. Enquanto o governo dos EUA sob a administração Trump está a recuar em certas regulamentações de ESG, outras economias globais, especialmente na Europa e na Ásia, estão a reforçá-las.

Países como o Japão, a Austrália, o Canadá, Hong Kong e Singapura introduziram recentemente novos requisitos de reporte de sustentabilidade empresarial e, na UE, o panorama legislativo intensificou-se significativamente, com quase 2500 políticas de divulgação ESG agora em vigor a nível mundial1. Os investidores continuam a ver um forte desempenho em ESG como um fator-chave do crescimento financeiro a longo prazo, com as empresas sustentáveis a revelarem-se mais resilientes e rentáveis.

A conclusão é clara. Mesmo que as regulamentações de ESG estejam a mudar em algumas regiões, a tendência mais ampla para a responsabilidade sustentável e a sua evolução contínua veio para ficar.

Riscos e transparência na cadeia de abastecimento

Para muitas empresas do segmento de média dimensão, as cadeias de abastecimento representam simultaneamente um desafio e uma oportunidade.

A nova legislação da UE em discussão, como a Diretiva relativa ao dever de diligência das empresas em matéria de sustentabilidade (DDDES), está a aumentar a pressão sobre as empresas para garantirem transparência e responsabilização nas suas cadeias de abastecimento. Isto significa que as empresas têm de realizar um dever de diligência mais rigoroso, garantindo que os fornecedores cumprem normas de responsabilidade ambiental e social, com o objetivo de proteger a empresa tanto de riscos de continuidade como reputacionais.

Para além da conformidade, as empresas estão a reconhecer os benefícios estratégicos de uma cadeia de abastecimento diversificada e resiliente. Os riscos de uma dependência excessiva de geografias de alto risco, combinados com as expectativas de consumidores e investidores relativamente ao aprovisionamento ético, estão a tornar a transparência da cadeia de abastecimento um imperativo empresarial.

Requisitos de reporte ESG em evolução

O reporte de sustentabilidade já não é apenas para os grandes intervenientes. Em 2025, 90% das empresas do S&P 500 publicarão relatórios de sustentabilidade, um aumento significativo face a apenas 20% há uma década2. A mesma tendência está a estender-se às empresas do segmento de média dimensão, à medida que os fatores de sustentabilidade se tornam requisitos padrão para ganhar trabalho através de propostas e concursos, bem como nas avaliações dos investidores.

Com a legislação relacionada com ESG a aumentar 155% na última década3, é evidente que as expectativas em torno da transparência continuam a crescer. Embora as empresas de menor dimensão ainda não sejam obrigadas por lei a cumprir os padrões de reporte mais exigentes, aquelas que integrem proativamente o ESG nas suas operações estarão melhor posicionadas para o crescimento futuro, o investimento e as oportunidades de mercado. No entanto, as empresas do segmento de média dimensão devem também estar atentas ao greenwashing, assegurando que o reporte reflete esforços de sustentabilidade genuínos. A chave é ser transparente e autêntico na comunicação para construir credibilidade e evitar os riscos reputacionais associados à deturpação.

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Em suma: o ESG é um motor de crescimento empresarial

Se se está a perguntar se o ESG ainda é relevante em 2025, a resposta não é apenas «sim»; é um imperativo estratégico que precisa de ser integrado de forma proativa nos planos de crescimento de uma empresa. As empresas do segmento de média dimensão que dão prioridade ao ESG têm maior probabilidade de atrair potenciais clientes e parceiros, melhorar o seu posicionamento e elevar as avaliações quando mais importa.

Com 82% dos líderes empresariais a acreditarem que a importância do ESG continuará a crescer5, a verdadeira mudança já não passa por decidir se se deve ou não adotar o ESG, mas sim por como o integrar de forma eficaz no negócio.

1Carrots & Sticks

2GlobeNewswire: 90% of S&P 500 Index Companies Publish Sustainability Reports in 2019, G&A Announces in its Latest Annual 2020 Flash Report

3edie: ESG regulations have increased 155% in the last decade

4The Times: ‘Thirsty’ ChatGPT uses four times more water than previously thought

5Thomson Reuters2024 State of Corporate ESG: Navigating new frontiers of regulation and AI

A crescente importância da natureza e da biodiversidade

As alterações climáticas já não são a única preocupação ambiental para as empresas; os riscos relacionados com a biodiversidade e a natureza estão a tornar-se um foco central.

Os investidores e os reguladores estão, cada vez mais, a pedir às empresas que avaliem e reportem o seu impacto na natureza. Estruturas como a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) estão a ganhar relevância, e novos regulamentos do Reino Unido, ao abrigo do Town and Country Planning Act, exigem agora que as empresas demonstrem um ganhos líquidos em biodiversidade em determinados setores.

Para as empresas do segmento de média dimensão, isto significa avaliar de que forma as suas operações interagem com os ecossistemas naturais, seja através do uso do solo, de impactos na cadeia de abastecimento ou do consumo de recursos. As empresas que adotam uma abordagem proativa à sustentabilidade não só mitigarão os riscos, como também reforçarão a sua marca e as relações com as partes interessadas.

IA e inovação sustentável

A IA está a transformar a forma como as empresas abordam a sustentabilidade. Desde a elaboração de relatórios de ESG orientados por dados até à análise preditiva para a eficiência energética, as ferramentas alimentadas por IA estão a ajudar as empresas a otimizar os seus esforços de sustentabilidade como nunca antes.

Mas a própria IA acarreta custos ambientais. Os centros de dados consomem enormes quantidades de energia e água; estima-se que as consultas ao ChatGPT utilizem 148 milhões de litros de água por dia4. Isto impulsionou a inovação em soluções de IA de baixo impacto, com as empresas a integrarem cada vez mais a pegada ambiental da IA nas suas estratégias de sustentabilidade.

Para as empresas do segmento de média dimensão, a IA representa uma dupla oportunidade. Tirar partido da tecnologia para melhorar o desempenho em ESG, ao mesmo tempo que se enfrentam os desafios de sustentabilidade que a IA cria.

Em suma: o ESG é um motor de crescimento empresarial

Se se está a perguntar se o ESG ainda é relevante em 2025, a resposta não é apenas «sim»; é um imperativo estratégico que precisa de ser integrado de forma proativa nos planos de crescimento de uma empresa. As empresas do segmento de média dimensão que dão prioridade ao ESG têm maior probabilidade de atrair potenciais clientes e parceiros, melhorar o seu posicionamento e elevar as avaliações quando mais importa.

Com 82% dos líderes empresariais a acreditarem que a importância do ESG continuará a crescer5, a verdadeira mudança já não passa por decidir se se deve ou não adotar o ESG, mas sim por como o integrar de forma eficaz no negócio.

1Carrots & Sticks

2GlobeNewswire: 90% of S&P 500 Index Companies Publish Sustainability Reports in 2019, G&A Announces in its Latest Annual 2020 Flash Report

3edie: ESG regulations have increased 155% in the last decade

4The Times: ‘Thirsty’ ChatGPT uses four times more water than previously thought

5Thomson Reuters2024 State of Corporate ESG: Navigating new frontiers of regulation and AI

“Da transparência da cadeia de abastecimento à inovação sustentável, o ESG já não se resume apenas à conformidade. É um motor de resiliência, rentabilidade e sucesso a longo prazo.

Para as empresas do segmento de média dimensão, a oportunidade é clara. As que adotarem o ESG de forma estratégica serão as que irão prosperar nos próximos anos.”

Jo Daley, Director - Head of Impact, Clearwater

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