Tendências gerais do mercado
Os últimos 12 meses vieram reforçar uma mudança que já se vinha a consolidar há algum tempo. A atividade de M&A não abrandou de forma homogénea, mas tornou-se mais complexa, mais seletiva e cada vez mais dependente do contexto específico de cada operação.
As taxas de juro e a inflação deixaram de ser os principais fatores a condicionar a atividade dos investidores e a dinâmica do mercado. Embora as condições de financiamento continuem a ser relevantes, o seu impacto foi, em grande medida, incorporado nas expectativas do mercado. Em contrapartida, os investidores enfrentam atualmente um contexto mais fragmentado e imprevisível, influenciado por tensões geopolíticas, transformações setoriais e mudanças estruturais na economia.
Principais motores da atividade de M&A
Do macro ao micro: como o risco está a ser reavaliado
Os fatores que impulsionam a atividade de M&A tornaram-se mais subtis e diferenciados.
Em vez de uma dinâmica dominada por tendências macroeconómicas que afetam todo o mercado da mesma forma, observa-se uma avaliação cada vez mais detalhada do risco, ao nível dos setores, dos modelos de negócio e das próprias empresas. Os eventos geopolíticos continuam a ter influência sobre a atividade transacional, mas os seus efeitos não são uniformes. Pelo contrário, estão a alterar a perceção de atratividade entre setores e geografias, criando fatores favoráveis para alguns e desafios acrescidos para outros.
O resultado é um mercado mais dinâmico e seletivo, onde as oportunidades continuam presentes, mas dependem cada vez mais da capacidade de identificar o momento e posicionamento certos. Janelas de oportunidade podem surgir rapidamente, impulsionadas por tendências como o aumento do investimento em defesa, a transição energética ou processos de consolidação setorial. No entanto, essas oportunidades podem desaparecer com a mesma rapidez caso as condições de mercado se alterem.
“Existem momentos em que as condições para uma venda são particularmente favoráveis, e essas oportunidades podem surgir e desaparecer mais depressa do que se imagina. Se a empresa não estiver preparada quando essa janela se abre, a oportunidade pode perder-se.”
Lars Rau Jacobsen, Managing Partner
O mais marcante não é apenas a presença de incerteza, mas a sua frequência e a diversidade. Novos riscos emergem de forma recorrente, muitas vezes sem aviso prévio e com pouca visibilidade sobre a sua duração ou impacto potencial. Desde tensões geopolíticas até à rápida evolução tecnológica, em particular no domínio da IA, os mercados operam atualmente num contexto em que a previsão de tendências e cenários de longo prazo se tornou significativamente mais desafiante.
“A incerteza não desapareceu. Pelo contrário, acelerou e assumiu novas formas. O que mudou foi a forma como a enfrentamos: recorrendo a uma análise mais profunda e a uma preparação mais rigorosa para ajudar os nossos clientes a tomar decisões com maior clareza num mercado cada vez mais complexo."
Michael Schor, Partner
Apesar disto, a atividade de M&A tem-se mantido resiliente. A principal diferença é que já não se distribui de forma homogénea pelo mercado.
Em vez disso, a atividade está cada vez mais concentrada em setores, temas de investimento e tipos de ativos relativamente aos quais os investidores mantêm um elevado nível de convicção. Isto tem dado origem a um mercado mais seletivo, onde os ativos de maior qualidade continuam a atrair interesse e a concretizar transações com sucesso, enquanto outros enfrentam um escrutínio mais rigoroso, processos mais longos ou adiamentos na sua execução.
“Mantemos uma proximidade ao mercado, acompanhando diferentes setores, geografias e investidores de private equity, o que nos permite compreender onde existe maior convicção. Essa proximidade dá-nos a capacidade de orientar os nossos clientes para as áreas onde a procura é mais forte, mesmo em contextos de incerteza.”
Lars Rau Jacobsen, Managing Partner
A um nível regional esta seletividade também se reflete nos fluxos de capital. Os mercados percecionados como mais estáveis e previsíveis têm vindo a atrair um interesse crescente por parte dos investidores, particularmente na Europa Ocidental e nos países nórdicos. Em contrapartida, as regiões com maior exposição a riscos geopolíticos têm registado uma abordagem mais cautelosa. Não se trata necessariamente de uma saída de capital, mas sim de uma maior prudência na forma como esse capital é alocado e investido.
Principais motores da atividade de M&A
Do macro ao micro: como o risco está a ser reavaliado
Os fatores que impulsionam a atividade de M&A tornaram-se mais subtis e diferenciados.
Em vez de uma dinâmica dominada por tendências macroeconómicas que afetam todo o mercado da mesma forma, observa-se uma avaliação cada vez mais detalhada do risco, ao nível dos setores, dos modelos de negócio e das próprias empresas. Os eventos geopolíticos continuam a ter influência sobre a atividade transacional, mas os seus efeitos não são uniformes. Pelo contrário, estão a alterar a perceção de atratividade entre setores e geografias, criando fatores favoráveis para alguns e desafios acrescidos para outros.
O resultado é um mercado mais dinâmico e seletivo, onde as oportunidades continuam presentes, mas dependem cada vez mais da capacidade de identificar o momento e posicionamento certos. Janelas de oportunidade podem surgir rapidamente, impulsionadas por tendências como o aumento do investimento em defesa, a transição energética ou processos de consolidação setorial. No entanto, essas oportunidades podem desaparecer com a mesma rapidez caso as condições de mercado se alterem.
“Existem momentos em que as condições para uma venda são particularmente favoráveis, e essas oportunidades podem surgir e desaparecer mais depressa do que se imagina. Se a empresa não estiver preparada quando essa janela se abre, a oportunidade pode perder-se.”
Lars Rau Jacobsen, Managing Partner
Comportamentos de investimento divergentes
O comportamento dos investidores também se tornou mais heterogéneo.
Em todo o mercado, começam a destacar-se três abordagens distintas por parte dos investidores. Alguns adotam uma postura mais cautelosa, afastando-se de determinados setores ou adiando decisões de investimento até existir maior clareza sobre a evolução do contexto económico e geopolítico. Outros mantêm uma estratégia ativa, mas com maior disciplina, atribuindo mais importância à avaliação, aos processos de due diligence e aos mecanismos de proteção face a cenários negativos. Ao mesmo tempo, um terceiro grupo procura tirar partido da incerteza, encarando-a como uma oportunidade para adquirir ativos a avaliações mais atrativas, num contexto em que a concorrência por oportunidades de investimento é mais reduzida.
Esta divergência de comportamentos está a influenciar a dinâmica dos processos de M&A. Embora alguns processos possam atrair um número mais reduzido de potenciais compradores, aqueles que avançam tendem a apresentar um maior nível de interesse e preparação. A concorrência continua a existir, sobretudo em torno de ativos de elevada qualidade, mas é hoje mais seletiva e menos especulativa do que em ciclos anteriores.
Na prática, isto traduz-se em discussões estratégicas mais aprofundadas, na identificação antecipada de potenciais riscos e numa utilização crescente de ferramentas como o market sounding e análises preparatórias realizadas antes do lançamento formal do processo. Implica também um trabalho mais próximo com as equipas de gestão para clarificar objetivos, alinhar expectativas e garantir que existe uma visão comum antes da entrada no mercado.
“Estamos a reforçar o trabalho de preparação e o diálogo com os clientes antes da execução de uma operação. Trata-se de testar pressupostos, identificar riscos numa fase inicial e garantir que a empresa está verdadeiramente preparada antes de abordar o mercado.”
Miquel Martí, Managing Partner
Este envolvimento antecipado contribui para aumentar a robustez do processo. Permite às empresas identificar e mitigar potenciais fatores de risco antes do lançamento da operação, melhorar a qualidade da informação disponibilizada aos investidores e apresentar uma tese de investimento mais clara e convincente.
Risco, resiliência e visibilidade a longo prazo
Talvez o tema mais recorrente em todas as discussões seja a mudança na forma como os compradores avaliam o risco.
Os compradores atribuem hoje mais importância à resiliência, tanto do ponto de vista do desempenho operacional como do posicionamento estratégico das empresas. Já não é suficiente demonstrar um histórico sólido de crescimento. As empresas precisam de demonstrar capacidade para continuar a crescer, adaptar-se e criar valor num contexto mais incerto e de rápida evolução.
Esta análise inclui fatores como a exposição a riscos geopolíticos, a resiliência das cadeias de abastecimento, a diversificação da base de clientes e a capacidade de adaptação à evolução tecnológica. A IA, em particular, assumiu um papel central em muitas operações. Não tanto como um fator imediato de criação de valor, mas como uma força transformadora com potencial para redefinir setores inteiros no médio e longo prazo.
Como resultado, os compradores dedicam mais tempo à avaliação do posicionamento futuro das empresas e atribuem maior importância à credibilidade das narrativas de crescimento a longo prazo.
Tendências na execução de transações
Uma maior aposta na preparação antecipada e no envolvimento prévio
Uma das mudanças mais relevantes no mercado de M&A está a ocorrer antes mesmo do início formal dos processos.
Observa-se um aumento claro do trabalho desenvolvido numa fase inicial, com mais tempo dedicado a apoiar os clientes na avaliação do seu grau de preparação, no refinamento da estratégia e na identificação antecipada de potenciais desafios. Não se trata apenas de preparação no sentido tradicional. Trata-se de criar, com antecedência, as condições necessárias para maximizar a probabilidade de sucesso quando a empresa avançar para o mercado.
Na prática, isto traduz-se em discussões estratégicas mais aprofundadas, na identificação antecipada de potenciais riscos e numa utilização crescente de ferramentas como o market sounding e análises preparatórias realizadas antes do lançamento formal do processo. Implica também um trabalho mais próximo com as equipas de gestão para clarificar objetivos, alinhar expectativas e garantir que existe uma visão comum antes da entrada no mercado.
“Estamos a reforçar o trabalho de preparação e o diálogo com os clientes antes da execução de uma operação. Trata-se de testar pressupostos, identificar riscos numa fase inicial e garantir que a empresa está verdadeiramente preparada antes de abordar o mercado.”
Miquel Martí, Managing Partner
Este envolvimento antecipado contribui para aumentar a robustez do processo. Permite às empresas identificar e mitigar potenciais fatores de risco antes do lançamento da operação, melhorar a qualidade da informação disponibilizada aos investidores e apresentar uma tese de investimento mais clara e convincente.
“Mantemos uma ligação próxima ao mercado, acompanhando diferentes setores, geografias e investidores de private equity, o que nos permite identificar onde existe maior convicção por parte dos investidores. Essa proximidade permite-nos orientar os nossos clientes para as áreas onde a procura é mais forte, mesmo em contextos de incerteza.”
Processos mais longos e uma due diligence mais exigente
Uma vez iniciado o processo, os efeitos deste contexto tornam-se ainda mais evidentes.
Os processos de due diligence tornaram-se mais abrangentes e aprofundados, refletindo a crescente atenção dos investidores ao risco. Os compradores dedicam mais tempo à validação de pressupostos, à análise da resiliência dos negócios e à compreensão da forma como as empresas poderão comportar-se em diferentes cenários. Como consequência, os prazos das transações têm vindo a prolongar-se, e processos que anteriormente poderiam ser concluídos em poucos meses são hoje, com frequência, mais longos e exigentes.
Esta evolução não resulta apenas da incerteza atual; reflete uma mudança mais profunda na forma como os compradores tomam decisões de investimento. Os processos de decisão estão a tornar-se mais estruturados, com maior ênfase na validação de pressupostos, na qualidade da informação e na análise de diferentes cenários.
Ao mesmo tempo, os vendedores têm vindo a adaptar-se a esta realidade, antecipando cada vez mais cedo estas exigências no decurso dos processos. Muitas das questões que tradicionalmente surgiam apenas durante a fase de due diligence são hoje abordadas antecipadamente, no âmbito do trabalho de preparação da operação. Esta abordagem contribui para um maior alinhamento entre as expectativas dos compradores e o nível de preparação dos vendedores, reforçando a qualidade e a eficiência dos processos.
O papel dos assessores
Estas transformações estão também a redefinir o papel dos assessores financeiros.
O foco está a deixar de estar exclusivamente na execução das transações para passar a abranger um papel de assessoria mais amplo, que inclui a definição estratégica, a preparação das empresas e a criação de valor. Cada vez mais, os melhores resultados são determinados pelo trabalho realizado antes do lançamento de um processo, e não apenas pela forma como esse processo é conduzido.
Isto inclui apoiar os clientes na compreensão da forma como o seu negócio poderá ser percecionado por diferentes perfis de compradores, identificar e mitigar potenciais riscos e garantir que a tese de investimento é simultaneamente credível e apelativa.
Implica também acompanhar os clientes durante um maior horizonte temporal. Em alguns casos, as relações desenvolvem-se ao longo de vários anos antes de uma transação se concretizar, permitindo uma abordagem mais estruturada à criação de valor e ao planeamento de uma futura operação.
Menos compradores, maior convicção
Outra tendência evidente prende-se com a evolução da dinâmica dos processos.
Se, em anos anteriores, os processos tendiam a atrair um elevado número de potenciais compradores, o contexto atual caracteriza-se frequentemente por um universo mais restrito e seletivo de participantes. É cada vez mais comum que as operações envolvam um número menor de interessados, mas com um nível de compromisso significativamente superior.
Embora isto possa, em alguns casos, reduzir a intensidade competitiva dos processos, também contribui para interações mais relevantes e produtivas entre as partes. Os investidores que participam tendem a estar mais bem informados, mais comprometidos e mais interessados em acompanhar o processo até à sua conclusão.
“Em muitos processos atualmente, ter dois ou três compradores verdadeiramente interessados já representa uma posição muito favorável.”
Michael Schor, Partner
Preparação acima do timing
Talvez a mudança mais significativa esteja na forma como as empresas encaram o momento certo para avançar com uma transação.
Em ciclos anteriores, era comum existir uma forte preocupação em esperar pelas condições de mercado ideais. Hoje, essa abordagem revela-se cada vez menos prática. Num contexto em que as condições mudam de forma rápida e imprevisível, o foco deslocou-se do timing para a preparação.
As empresas que se encontram bem preparadas estão em melhores condições para agir quando surgem oportunidades, seja em resultado de tendências setoriais, de um maior apetite por parte dos investidores ou de desenvolvimentos estratégicos específicos. As empresas menos preparadas acabam por não conseguir aproveitar condições favoráveis quando estas se apresentam.
Esta realidade assume uma importância acrescida num mercado em que fatores externos influenciam o timing das operações de formas difíceis de antecipar. Desde acontecimentos geopolíticos a alterações específicas em determinados setores, a capacidade de responder rapidamente às mudanças tornou-se uma vantagem competitiva cada vez mais relevante.
O papel dos assessores
Estas transformações estão também a redefinir o papel dos assessores financeiros.
O foco está a deixar de estar exclusivamente na execução das transações para passar a abranger um papel de assessoria mais amplo, que inclui a definição estratégica, a preparação das empresas e a criação de valor. Cada vez mais, os melhores resultados são determinados pelo trabalho realizado antes do lançamento de um processo, e não apenas pela forma como esse processo é conduzido.
Isto inclui apoiar os clientes na compreensão da forma como o seu negócio poderá ser percecionado por diferentes perfis de compradores, identificar e mitigar potenciais riscos e garantir que a tese de investimento é simultaneamente credível e apelativa.
Implica também acompanhar os clientes durante um maior horizonte temporal. Em alguns casos, as relações desenvolvem-se ao longo de vários anos antes de uma transação se concretizar, permitindo uma abordagem mais estruturada à criação de valor e ao planeamento de uma futura operação.
O que isto significa na prática
No seu conjunto, estas tendências apontam para um mercado que continua ativo, mas que opera de forma significativamente diferente daquela a que estávamos habituados.
A concretização de transações exige hoje mais preparação, mais análise e uma reflexão estratégica mais aprofundada do que em ciclos anteriores. O mercado tende a favorecer empresas bem posicionadas, devidamente preparadas e capazes de demonstrar resiliência perante um contexto de incerteza.
Ao mesmo tempo, este contexto cria oportunidades para as empresas que estão dispostas a preparar-se antecipadamente, a adaptar-se à evolução das condições de mercado e a agir com convicção quando surge o momento certo.
Nesse sentido, o mercado não se tornou menos atrativo; tornou-se simplesmente mais exigente.
Encontre o seu especialista local em M&A
Se está a considerar uma venda ou pretende discutir as opções disponíveis para a sua empresa, entre em contacto com a nossa equipa. Estamos disponíveis para o ajudar a preparar e concretizar a próxima fase do seu negócio.
Descubra como a Clearwater pode ...
Ajudá-lo a desbloquear o valor da sua empresa
Insights
Através da perspetiva dos nossos especialistas globais no setor tecnológico, com décadas de experiência prática, partilhamos insights que revelam oportunidades e tendências que outros não veem, acrescentando novas perspetivas em vez de repetir aquilo que já sabe.